(No Estadão online, terça-feira, 18/01/2011)
Em novembro de 2010 o Brasil admitiu à ONU estar despreparado para enfrentar tragédias (16/1, A1). Por que será? Quero apontar aqui uma razão que todos conhecem mas pouco ou nada é feito para corrigir. Diante de catástrofes (previsíveis), providências são sempre tomadas após os fatos, e de forma improvisada, porque o dinheiro público é mal gasto e falta competência em todos os níveis de governo. E qual a principal razão disso? Cada nova administração, ao assumir emprega amigos, parentes, militantes, colaboradores, cupinchas, etc., e dá um jeito de torná-los estáveis, ou bem protegidos (blindados por dossiês). Assim, o Brasil tornou-se uma grande e amorfa repartição pública, uma casa de mãe Joana, sugando quase todos os 37% do PIB arrecadados de seus sacrificados trabalhadores para cobrir a pesada folha de pagamento de uma burocracia improdutiva e inepta. Os problemas da infraestrutura nacional sucateada e, agora, sobre o risco de catástrofes naturais, são conhecidos, como fica comprovado no documento de Ivone Maria Valente, da Secretaria Nacional da Defesa Civil. Nossos dirigentes têm as informações dos problemas, mas pouco podem fazer, pois toda a máquina governamental se encontra emperrada pelo peso de um funcionalismo despreparado, das benesses criadas como direitos (abusos) adquiridos, da confusão burocrática que dificulta ou torna impossível o andamento de quaisquer medidas, especialmente as salutares que põem em risco os nichos corporativistas constituídos, etc. Desta maneira o Brasil vai afundando pelo seu "peso morto" - o chamado "custo Brasil" - e governos petistas como o de Lula só fazem piorar a situação. Resumindo: quem trabalha e produz paga cada vez mais imposto para sustentar muitos "aspones", sobrando pouco para atender à infraestrutura nacional e a ações estratégicas e inteligentes como o Plano de Ação de Hyogo, elaborado pela ONU. Enquanto as repartições se encontram abarrotadas de gente (geralmente paletós em cadeiras, para disfarçar), nada é feito para evitar ou, pelo menos, minimizar situações catastróficas e desesperadoras como as que ceifaram tantas vidas inocentes. Enquanto não corrigirmos esse problema essencial, os honestos continuarão trabalhando muito para, diante de fenômenos naturais previsíveis, morrerem na praia, ou melhor dizendo, na lama!
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terça-feira, 18 de janeiro de 2011
PROBLEMA ESSENCIAL
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domingo, 25 de julho de 2010
VALORES INVERTIDOS
(No Estadão online, domingo, 25/07/2010)
Já que estão pensando em legalizar a ''profissão'' de flanelinha, gostaria de propor o mesmo para os ''malabaristas de cruzamento''. Depois de legalizados, eles poderiam ter suas contribuições (obrigatórias?) tabeladas de acordo com o número de bolinhas ou objetos que joguem para o alto simultaneamente. Nesse mesmo sentido, acho justo um regulamento que determine que pedintes grávidas recebam um valor extra como antecipação de licença-maternidade, ou por quantidade de filhos que já tenham. E não seria o caso de se acrescentar na esmola o seguro-saúde, FGTS e demais benefícios sociais? Naturalmente, como corolário, o acompanhamento e controle de tudo isso seriam realizados por um novo ministério: o Ministério dos Flanelinhas e Desempregados Urbanos (MiFDEU)... Eis o Brasil do quebra-galho, da esperteza e do jeitinho, caminhos certos para afundarmos no Terceiro Mundo.
Já que estão pensando em legalizar a ''profissão'' de flanelinha, gostaria de propor o mesmo para os ''malabaristas de cruzamento''. Depois de legalizados, eles poderiam ter suas contribuições (obrigatórias?) tabeladas de acordo com o número de bolinhas ou objetos que joguem para o alto simultaneamente. Nesse mesmo sentido, acho justo um regulamento que determine que pedintes grávidas recebam um valor extra como antecipação de licença-maternidade, ou por quantidade de filhos que já tenham. E não seria o caso de se acrescentar na esmola o seguro-saúde, FGTS e demais benefícios sociais? Naturalmente, como corolário, o acompanhamento e controle de tudo isso seriam realizados por um novo ministério: o Ministério dos Flanelinhas e Desempregados Urbanos (MiFDEU)... Eis o Brasil do quebra-galho, da esperteza e do jeitinho, caminhos certos para afundarmos no Terceiro Mundo.
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terça-feira, 13 de julho de 2010
NOVO CONSELHO FISCALIZADOR
(No Estadão online, terça-feira, 13/07/2010)
Fiscalização só adianta com leis bem aplicadas
Duas propostas de emenda à Constituição (PECs) seguem trâmite no Congresso visando à criação do Conselho Nacional dos Tribunais de Contas (CNTC), para fiscalizar conselheiros e ministros de contas de todo o País. Será que, no clima de impunidade que reina atualmente, vai adiantar mais um conselho? Acho que não. Enquanto as leis que existem não forem aplicadas com todo o rigor, e com claro intuito de acabar com os abusos, não vai ser mais um grupo, por mais competente e ilibado que seja, que vai resolver. Nosso problema principal é lei frouxa, o ''jeitinho'' e advogados espertos que contornam, protelam e acham brechas ''absurdas'' nas leis. Não adianta criar mais burocracia se as leis não funcionam. Governo que realmente se preocupa com o cidadão, trabalhador e contribuinte, deve punir com o peso da lei, impondo reclusão aos responsáveis e a devolução total dos prejuízos causados ao erário. Sem estas medidas de peso e valor, continuaremos no mundo do faz de conta, tendo de nomear fiscais para fiscalizarem os fiscais que fiscalizam os que deveriam ...
Fiscalização só adianta com leis bem aplicadas
Duas propostas de emenda à Constituição (PECs) seguem trâmite no Congresso visando à criação do Conselho Nacional dos Tribunais de Contas (CNTC), para fiscalizar conselheiros e ministros de contas de todo o País. Será que, no clima de impunidade que reina atualmente, vai adiantar mais um conselho? Acho que não. Enquanto as leis que existem não forem aplicadas com todo o rigor, e com claro intuito de acabar com os abusos, não vai ser mais um grupo, por mais competente e ilibado que seja, que vai resolver. Nosso problema principal é lei frouxa, o ''jeitinho'' e advogados espertos que contornam, protelam e acham brechas ''absurdas'' nas leis. Não adianta criar mais burocracia se as leis não funcionam. Governo que realmente se preocupa com o cidadão, trabalhador e contribuinte, deve punir com o peso da lei, impondo reclusão aos responsáveis e a devolução total dos prejuízos causados ao erário. Sem estas medidas de peso e valor, continuaremos no mundo do faz de conta, tendo de nomear fiscais para fiscalizarem os fiscais que fiscalizam os que deveriam ...
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