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terça-feira, 1 de abril de 2014

"CEM ANOS ATRASADO"

(No Estadão online, terça-feira, 1.04.2014)
Cumprimento o dr. Adib D. Jatene, pelo brilhante artigo "Cem anos atrasado" (31/3, A2). Ele nos mostra, com clareza meridiana, como o (des)governo populista dos últimos 12 anos vem solapando a qualidade do ensino da Medicina em favor de uma quantidade precipitada e nociva. Como os próprios "caciques" do governo procuram a assistência médica em hospitais da qualidade de um Sírio-Libanês, estão pouco preocupados com o povo. Na campanha que se avizinha, provavelmente irão citar os números de novas escolas de Medicina, os alunos dessas escolas, o Programa Mais Médicos e outros dados eleitoreiros. Só não vão mencionar o círculo vicioso que iniciaram, no qual a qualidade do médico formado vai cair cada vez mais, com médicos mal formados hoje, formando piores médicos amanhã. E a saúde do povo é que sofre. Reitero uma sugestão que há tempos é ventilada: que todos os funcionários públicos, especialmente os mais graduados, sejam obrigados a buscar o SUS para o atendimento de si e de sua família. Aí, sim, se preocupariam com a qualidade das escolas de Medicina e seus formandos. Do jeito que está, o povo que "se exploda".

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

A PRIORIDADE DEVE SER O SUS

(No Estadão online, terça-feira, 25.02.2014)
Realmente, a "prioridade deve ser os SUS" para qualquer governo que queira cuidar do "social" e defender a população carente. O descaso deste governo nessa área (e de muitos outros, é justo lembrar) tem sido notório, como bem apontou o editorial do "Estadão" (23/2, A3). Creio que a única solução definitiva seria uma lei obrigando todos os governantes, de todos os escalões, todos os congressistas, incluindo suas famílias, a utilizarem somente do Sistema Único de Saúde (SUS)! Enquanto os mais responsáveis pelo governo, que deveria ser do povo e para o povo, tiverem acesso a atendimento privilegiado de médicos e hospitais particulares, o povo vai ter de continuar se virando no péssimo atendimento "padrão" SUS. A solução só virá quando o serviço público for obrigatório para todos os servidores públicos, especialmente os dos altos escalões. Atualmente, não há interesse de nossos políticos em aplicar bem as verbas na saúde pública, pois em caso de problemas de saúde pessoal podem gastar o suado dinheiro do contribuinte para serem atendidos pelas melhores equipes de hospitais como o Sírio-Libanês. Essa grande injustiça é que não deveria continuar. Ou será que, como sempre, o povo deve continuar "se explodindo", conforme dizia personagem do saudoso Chico Anísio?

quinta-feira, 11 de julho de 2013

SAÚDE PADRÃO FIFA

(No Estadão online, quinta-feira, 11.07.2013)
Fala-se muito na falta de médicos nas regiões mais longínquas do Brasil. Discute-se aumentar em dois anos os cursos de medicina e só fornecer diploma depois de o estudante passar esse período prestando serviços médicos nas regiões carentes e em unidades do SUS. Mas nada se propõe para incentivar e pagar melhor nossos dedicados e sacrificados profissionais da saúde. Para formar mais e melhores enfermeiras e para melhorar a infraestrutura dos hospitais, pronto-socorros e postos de saúde existentes. Assim como inaugurar novas unidades estrategicamente localizadas com os equipamentos e condições necessárias para um bom atendimento aos necessitados. Muitas ideias são lançadas pontualmente, mas não vejo apresentarem um planejamento global, inteligente e exequível, com prazos, orçamentos e meios para alcançar os objetivos em médio e longo prazo. Por que será? Falta de interesse ou de competência? Vamos chamar Mr. Jerome Valcker para cuidar da execução desse importante projeto. Quem sabe, assim, poderemos ter no futuro um atendimento à saúde padrão “Fifa” em todo o território nacional!

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

DEFESA DOS QUE CRITICAM

(No Estadão online, sexta-feira, 4.11.2011)
É pouco provável que esta carta seja publicada, mas, considerando o editorial A volta por cima (3/11, A3), quero defender os que se tem manifestado nas mídias e redes sociais criticando o atendimento privilegiado dado ao ex-presidente Lula quando descobriu que tinha um câncer na laringe. Não creio que eles tenham "mentalidades encardidas" ou "recalques". Vejo as seguintes razões para tanta insatisfação: pagamos impostos pesadíssimos, de Primeiro Mundo, (inclusive a contribuição em cascada chamada CPMF) para que a saúde pudesse ser melhorada e, nos oito anos do governo Lula, pouco foi feito; foram muitos os "arroubos autocongratulatórios" de Lula, entre os quais o de afirmar que faltava pouco para a saúde atingir a perfeição – tripudiando em todos os que sofrem a realidade das filas do SUS; se Lula ganhou muito dinheiro no cargo, e em conferências altamente remuneradas, esse dinheirama teve sua origem, principalmente, no bolso dos sacrificados contribuintes; além de pagarmos muito para o governo, somos obrigados a ter convênios particulares (caríssimos, ou não confiáveis), pois a rede pública de saúde continua péssima; o fato de Lula "jogar limpo" com a informação de sua grave doença não é mérito mas sim esperteza, pois já se confirmou nos casos José Alencar e Dilma, que o eleitor decide mais pelo coração do que a razão e o "simpático lutador contra terrível doença" ganha piedade, mais apoio e popularidade; e finalmente, o câncer é uma doença assustadora e terrível, mas é muito difícil encontrar alguém que não tenha perdido amigo ou parente para ela (eu mesmo perdi avô e pai). Deus queira que não, mas todos estamos sujeitos a ter essa doença. Se tivéssemos um Sistema Único de Saúde (SUS) correspondente ao muito que já contribuímos para isso no governo Lula (e anteriores, para sermos justos), aí sim todos os brasileiros poderiam, em igual situação, dar "a volta por cima", e não só sr. Lula da Silva!

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

CONTRASTE NA SAÚDE

(No Estadão online, quinta-feira, 3.11.2011)
Não é de estranhar que aquele que afirmou que a rede pública de saúde no Brasil "estava quase perfeita", ao aparecer doença grave, tenha se internado no Hospital Sírio Libanês? Aliás, deveríamos ter uma lei pétrea que todos funcionários do governo, representantes do povo, e suas famílias, teriam obrigatoriamente de ser atendidos e tratados do Sistema Único de Saúde, SUS, começando pela autoridade maior, o presidente da República. No dia que passarem essa Lei pra valer até seria aceitável uma nova contribuição tipo CPMF. Com certeza, quando o problema tocar em si e sua família, nossos representantes pensariam duas vezes antes de desviar a verba destinada à Saúde. Mas, hoje, no aperto, os "poderosos" e famílias procuram os melhores hospitais particulares, nacionais e estrangeiros, deixando o povo sofrer nas filas do abandonado serviço público. É o velho ditado um tanto torcido: "acredite e confie no que prometo, mas não espere poder fazer o que faço". Para os amigos, atendimento régio; para o povo, atendimento paupérrimo. E ainda têm a desfaçatez de declarar que somos uma Nação de todos!