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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

' PAÍS EM CRISE'

(No Estadão online, segunda-feira, 19.12.2016)
O almirante Mario Cesar Flores, em seu artigo "País em crise" (17/12, A2), pergunta se será possível iniciar a solução de nossos enormes problemas pela política. E complementa que esta, "uma vez nos trilhos da qualidade, rebocará tudo o mais". Tenho uma ideia que poderia ajudar. Implantarmos um Exame Nacional de Habilitação Política (Enhap), que todos os que desejem ingressar ou permanecer na política tenham de, obrigatoriamente, prestar e atingir determinada nota. Esse exame versaria sobre a Constituição, ciências política e econômica, moral, ética, história do Brasil, democracia, e assuntos essenciais para a formação de um bom político. Apostilas seriam desenvolvidas e disponibilizadas para todos os interessados. Poderia ser realizado semestralmente em todas as capitais, com rigoroso controle dos que prestam e das notas obtidas. Os atuais políticos que não forem aprovados no Enhap teriam de deixar os cargos e, se quiserem continuar na política, iniciar o caminho de recuperação desde a estaca zero. Nossa política só vai melhorar com melhores políticos; pessoas que queiram servir ao povo, doando sua cota de sacrifício pelo bem estar público, e não os que só querem se servir da política para o enriquecimento de si e familiares, como é o caso atual. Para isso é necessário termos um método de triagem. Quem sabe a ideia de um exame como este aqui sugerido seja o caminho? Algo tem de ser feito pelo bem de nosso Brasil tão espoliado pelos que se autoproclamam representantes do povo mas são representantes somente de interesses pessoais e corporativos!

domingo, 27 de novembro de 2016

SABEDORIA

(No Estadão online, domingo, 27.11.2016)
O Brasil precisaria refletir muito sobre a seguinte sabedoria milenar da obra clássica “O Bhagavadgita”. Ela nos mostra o caminho superior de sacrifício que devemos trilhar para sair da lama ética, moral e de bons costumes atual. Diz o Senhor a Arjuna: “Há muito tempo o Senhor dos homens reuniu pessoas dispostas ao sacrifício e disse: ‘Por esse meio vocês se multiplicarão; que seja essa a fonte de sua abundância. Agrade os deuses pelo sacrifício e os deuses retribuirão atendendo aos seus desejos. Somente um ladrão consome o que lhe foi dado como presente sem corresponder aos que lhe fizeram a oferta’” (Capítulo III, vers. 10-12). Pelos filhos, netos e futuras gerações, vamos todos dar nossa cota de sacrifício aos “deuses” brasileiros – os nossos ideais maiores. Eles certamente nos ajudarão a sair desta encruzilhada tão difícil e preocupante em que nos encontramos. Quem tem ouvidos que ouça! Quem tem percepção que entenda!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

A LEI É DURA MAS É LEI

(No Estadão online, quarta-feira, 17.02.2016)
A presidente Dilma acha que Lula “está sendo objeto de grande injustiça”. Já o ministro José Eduardo Cardozo afirma que Lula sempre se comportou com “absoluta lisura” e os ataques a ele são feitos pela oposição para atingir a imagem de um “grande líder”. Além de ele ter sido “um presidente indiscutivelmente aplaudido (...) pelas substantivas melhoras e mudanças que empreendeu no País”. Muitas afirmações de pessoas vinculadas ideológica e pessoalmente ao ex-presidente. Nada de substantivo nem com enfoque à sua conduta perante a verdade, as leis e a Constituição. Tratam-no como pessoa que pode agir impunemente, acima das leis. Um absurdo total. Em qualquer democracia séria, quanto mais alto na escala governamental chega uma pessoa, mais responsável e mais sujeita às leis, não o contrário. Como pode alguém, eleito para fazer cumprir as leis, ser quem se permite agir no seu descumprimento? Ele fez muitas mudanças no País, sim, mas foram ilusórias, distribuindo dinheiro a mancheia, por meio de benesses de curta visão (deu muito peixe, mas não ensinou o povo a pescar nem deu condições para o povo se livrar da dependência dessas benesses). Recebeu muitos aplausos, sim, mas recorrendo a mentiras e falsa propaganda de um governo populista e demagógico, que deixou pesada herança para sua pupila e sucessora. Infelizmente, Lula não tem mais explicações para a milagrosa fortuna de si, dos filhos nem do usufruto de bens em nome de amigos, que foram reformados ricamente por empreiteiras vinculadas ao esquema da Operação Lava Jato. Que se faça a verdadeira justiça, doa a quem doer, e que se desmistifique este santo do pau oco, que na sua soberba se vangloria de ser o mais honesto entre todas as almas vivas do Brasil. O futuro de nossos filhos e do Brasil, como Nação viável e pujante, depende disso! Dura lex sed lex!

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

DESÂNIMO

(No Estadão online, quarta-feira, 28.10.2015)
Após assistir à entrevista do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na segunda-feira (26/10), no programa “Roda Viva”, da TV Cultura, senti um profundo desânimo quanto ao nosso futuro como nação democrática. FHC deu uma aula sobre a realidade de nosso presidencialismo falido, mas em nenhum momento levantou a bandeira das conquistas de seu governo nem apontou qualquer direção nova e viável para que as forças de oposição possam nos oferecer uma alternativa ao atual desastre governamental e político. Foi acadêmico o tempo todo, dirigindo-se aos jornalistas, e não ao telespectador. Perdeu uma ótima chance de educar um pouco o eleitor que o assistia. E é isso que nos falta para garantir os valores democráticos e sairmos do buraco em que estamos. Muito foi falado, mas o mais importante foi esquecido: a importância de eleitores mais conscientes da força e da importância de seu voto. Enquanto o povo for omisso e ignorante, e se vender como massa de manobra, votando por obrigação e sem exigir melhores propostas de partidos e seus candidatos, nada se conseguirá. E os inescrupulosos continuarão conquistando cargos públicos por meio de mentiras e promessas não viáveis. Por favor, FHC, precisamos de mais estadistas que eduquem o eleitor e de menos intelectuais que pontifiquem acima de sua compreensão. Sem isso, dificilmente salvaremos nossa claudicante democracia.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

RESPONSABILIDADE APENADA

(No Estadão impresso, segunda-feira, 6.04.2015)
Em vez de se reduzir a maioridade penal de 18 para 16, gostaria de sugerir uma ideia mais compreensiva. Que seja alterada a Constituição com cláusula pétrea tornando adultos por trás de menores (sempre os há), em quaisquer crimes, responsáveis por eles. E iria além: conforme a idade do menor, seriam acrescidos anos à pena do infrator maior. Exemplo: se o menor tiver entre 16 e 18 anos, mais 10 anos; se for menor de 16, mais 20 anos. Assim, creio que bandidos pensariam duas vezes antes de induzirem crianças para seus crimes. Em vez de ser condescendente e facilitar a impunidade, nossas leis deveriam pesar mais nos mais responsáveis.

segunda-feira, 9 de março de 2015

VERGONHA

(No O Globo impresso, domingo, 8.03.2015)
No Japão, político pego em atos de corrupção, com vergonha, se mata diante de câmeras de TV para, supostamente, limpar com sangue a honra da família. Se o mesmo ocorresse aqui, será que sobraria alguém para apagar as luzes do Congresso Nacional? Onde estão a ética, a moral, o brio e a vergonha de nossos (falsos) representantes? Apesar de haver conhecidas na mídia e na Justiça tantas delações, listas e testemunhos de personalidades diretamente envolvidas no desvio de milhões de nosso dinheiro em estatais e empresas públicas, tudo fica no barulho e nas discussões.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

A PRIORIDADE DEVE SER O SUS

(No Estadão online, terça-feira, 25.02.2014)
Realmente, a "prioridade deve ser os SUS" para qualquer governo que queira cuidar do "social" e defender a população carente. O descaso deste governo nessa área (e de muitos outros, é justo lembrar) tem sido notório, como bem apontou o editorial do "Estadão" (23/2, A3). Creio que a única solução definitiva seria uma lei obrigando todos os governantes, de todos os escalões, todos os congressistas, incluindo suas famílias, a utilizarem somente do Sistema Único de Saúde (SUS)! Enquanto os mais responsáveis pelo governo, que deveria ser do povo e para o povo, tiverem acesso a atendimento privilegiado de médicos e hospitais particulares, o povo vai ter de continuar se virando no péssimo atendimento "padrão" SUS. A solução só virá quando o serviço público for obrigatório para todos os servidores públicos, especialmente os dos altos escalões. Atualmente, não há interesse de nossos políticos em aplicar bem as verbas na saúde pública, pois em caso de problemas de saúde pessoal podem gastar o suado dinheiro do contribuinte para serem atendidos pelas melhores equipes de hospitais como o Sírio-Libanês. Essa grande injustiça é que não deveria continuar. Ou será que, como sempre, o povo deve continuar "se explodindo", conforme dizia personagem do saudoso Chico Anísio?

domingo, 21 de julho de 2013

ERRO E ACERTO

(No O GLOBO impresso, domingo, 21.07.2013)
Duas autoridades se manifestaram na última semana: uma acertou e a outra não. O sr. Joseph Blatter está acerto, pois é quase impossível, em um país "padrão SUS", realizar uma Copa padrão Fifa sem passeatas e protestos. Já o prefeito do Rio, sr. Eduardo Paes, errou ao sugerir que as manifestações sejam dirigidas a prefeitos, governadores e à presidente, não ao Papa Francisco. Pois se até hoje todos esses governantes viraram as costas, mandando o povo "reclamar para o bispo", e não funcionou, agora só resta a ele reclamar para o Papa!

domingo, 23 de junho de 2013

QUANDO SEREMOS UMA NAÇÃO SÉRIA...

(No DIÁRIO DE SÃO PAULO impresso, domingo, 23.06.2013)
O Brasil está sempre caminhando numa esperança de um amanhã que parece nunca chegar. O que pensam e reflete sobre esse futuro, e o de seus netos e bisnetos, acabam questionando quando teremos um retorno melhor para a pesada carga fiscal que há muito pagamos. Quando será que o nosso povo e as futuras gerações vão ter acesso a uma boa educação e serviços de saúde de qualidade? Quando acordaremos do "berço esplêndido" para enfrentarmos com mais coragem a nossa realidade? Quando valorizaremos a honestidade e puniremos os que exploram o povo para se perpetuar no poder? Enfim, quando seremos uma nação séria, digna e competente para competirmos em pé de igualdade com as do Primeiro Mundo? Infelizmente, ficamos sempre na esperança e naquela afirmação desanimadora: só Deus sabe! Até quando?

domingo, 16 de junho de 2013

QUANDO, QUANDO

(No Estadão online, domingo, 16.06.2013)
Quando será que os jovens brasileiros vão ter uma boa educação? Quando será que nossos governos vão se preocupar com a formação social, acadêmica e científica do brasileiro em geral? Quando será que nossos políticos terão mais escrúpulos para prometerem o realizável, e, depois, prestarem conta ao cidadão do que estão realizando? Quando será que acordaremos do "berço esplêndido" para enfrentar com coragem nossa triste realidade? Quando será que nossos governantes entenderão que não somos uma monarquia, deixando que os "palácios" sejam transformados em museus e administrando nossa nação de locais mais simples e realistas? Nos EUA, o presidente trabalha na Casa Branca, na Inglaterra o Primeiro Ministro na 10 Downing Street, na Argentina, na Casa Rosada; por que aqui temos tantos palácios - do Planalto, da Alvorada, dos Bandeirantes, etc.? Quando será que valorizaremos a honestidade e puniremos devidamente os que mentem para o povo e o exploram? Enfim, quando será que seremos uma nação séria e digna para competirmos em pé de igualdade com as do Primeiro Mundo? Eis a canção de um brasileiro desanimado: Quando, Quando...

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

LUTA PELA CIDADANIA

(No Folha de S. Paulo e Estadão online, sexta-feira, 9.09.2011)
O Brasil comemorou, neste Sete de Setembro, 189 anos de sua independência, mas ainda falta muito para que seu povo, honesto e trabalhador, possa também comemorar. Para isso, terá que ser mais respeitado e valorizado como cidadão e contribuinte. Terá de sentir que o exemplo de responsabilidade e cumprimento das leis vem, em primeiro lugar, das classes mais favorecidas e cultas. Terá que sentir com naturalidade que os impostos que paga com tanto sacrifício sejam totalmente contabilizados (sem caixa dois), havendo transparência e prestação de contas do que for realizado em seu favor.Deve sentir que o governo e a Justiça respeitam e defendem seus interesses, especialmente fazendo valer leis como a da Ficha Limpa. Que os que trabalham honestamente são reconhecidos e remunerados por seus méritos de forma justa e correta. Que os que burlam as leis são punidos sem infindáveis apelações, não se permitindo a impunidade dos abonados, influentes ou amigos do poder.Nosso povo terá mais independência cívica quando todos pensarem mais no cumprimento de seus deveres do que em formas de exigir direitos descabidos e abusivos. E todos precisam reconhecer que sem leis fortes, sem a imposição de altos padrões morais e éticos na política e no governo, viveremos sempre à mercê dos inescrupulosos, espertos, demagogos e populistas.O Brasil já é independente como nação; agora temos de lutar pela plena cidadania e independência de seu povo. Quem se habilitará?