sexta-feira, 18 de abril de 2014

O XIS DO PROBLEMA

(No Estadão online, sexta-feira, 18.04.2014)
Um dos aspectos mais relevantes e menos abordados de nosso mundo político é que a grande maioria dos que ingressam nesse mundo o faz para enriquecer a si, familiares, amigos e militantes. São raros os que atuam pensando no bem da comunidade. Servir-se do dinheiro público em vez de garantir sua boa aplicação tem sido a regra, talvez desde as capitanias hereditárias. Todos ganham muito bem, têm muitas benesses e uma rica estrutura ao seu dispor, mas não consideram isso suficiente! Querem amealhar mais. Penso que com o argumento ou a desculpa que é justificável como um “financiamento público” para garantir sua futura reeleição, além da manutenção das mordomias que foram sendo agregadas por leis nas quais eles mesmo votaram em benefício próprio. Querem manter o círculo virtuoso do qual se acham merecedores. Obviamente, para o resto do Brasil e todos os cidadãos contribuintes, trata-se de um círculo altamente vicioso e prejudicial. Eis a grande questão: como mudar isso dentro de uma democracia republicana e capenga? Enquanto esse problema não é resolvido, continuarão os escândalos de doleiros, cuecas, malas de dinheiro, tudo sendo misturado na confecção de mais e de maiores “pizzas”. Até quando?

segunda-feira, 7 de abril de 2014

O ESCÂNDALO DILMABRÁS

(No Estadão impresso, segunda-feira, 7.04.2014)
Grandes lances
Dilma e Lula reuniram-se a sós em São Paulo para discutir a crise da Petrobrás. Do que terão tratado de fato? Seriam novas formas de declarar que ela "não sabia de nada"? Impossível, Dilma era ministra do governo Lula e presidente do Conselho de Administração da empresa. Terá sido em quem jogar a culpa, quem serviria de bode expiatório? Como impedir a instalação de CPI ou como transformá-la em mais uma grande pizza, sem perder votos? De qualquer forma, Dilma está numa grande enrascada. Qual será o coelho que Lula tirará da cartola para salvar a pele da "gerentona" que guindou ao posto máximo do governo federal? A novela O Grande Escândalo Dilmabrás está se desenrolando com muitos lances de grande relevância para as eleições de outubro. No capítulo final será revelado quem matou ou não matou Odete Roitman, ops, digo Dilma Vana Rousseff. A audiência tende a crescer até lá. Segurem os assentos!

terça-feira, 1 de abril de 2014

"CEM ANOS ATRASADO"

(No Estadão online, terça-feira, 1.04.2014)
Cumprimento o dr. Adib D. Jatene, pelo brilhante artigo "Cem anos atrasado" (31/3, A2). Ele nos mostra, com clareza meridiana, como o (des)governo populista dos últimos 12 anos vem solapando a qualidade do ensino da Medicina em favor de uma quantidade precipitada e nociva. Como os próprios "caciques" do governo procuram a assistência médica em hospitais da qualidade de um Sírio-Libanês, estão pouco preocupados com o povo. Na campanha que se avizinha, provavelmente irão citar os números de novas escolas de Medicina, os alunos dessas escolas, o Programa Mais Médicos e outros dados eleitoreiros. Só não vão mencionar o círculo vicioso que iniciaram, no qual a qualidade do médico formado vai cair cada vez mais, com médicos mal formados hoje, formando piores médicos amanhã. E a saúde do povo é que sofre. Reitero uma sugestão que há tempos é ventilada: que todos os funcionários públicos, especialmente os mais graduados, sejam obrigados a buscar o SUS para o atendimento de si e de sua família. Aí, sim, se preocupariam com a qualidade das escolas de Medicina e seus formandos. Do jeito que está, o povo que "se exploda".

terça-feira, 25 de março de 2014

O PREJUIZO É DO BRASIL

(No Estadão online, terça feira, 25.03.2014)
Para quem trabalha mesmo a Petrobrás? Para seus milhares (ou milhões?) de acionistas brasileiros ou para sr. Albert Frère, o homem mais rico da Bélgica, ou para a Venezuela de Nicolás Maduro? Sr. Frère, dono das empresas Tractebel e Astra Transcor Energy, que doou R$ 300 mil (só o que apareceu na contabilidade oficial) para a campanha de Lula, e que foi um dos patrocinadores do filme "Lula, filho do Brasil" ganhou um lucro de US$ 1,137 bilhão na negociata da refinaria de Pasadena, pois ele havia comprado a mesma um ano antes pela bagatela de US$ 42,5 milhões. Agora descobrimos que a Venezuela, num "contrato de associação", tem 40% da Refinaria Abreu Lima, em Pernambuco, e com nada contribuiu, apesar de a Petrobrás sozinha já ter gasto cerca de US$ 18 bilhões na obra. A dívida da PDVSA, companhia de petróleo venezuelana, simplesmente foi se acumulando. E nós não podemos cobrá-la, nem as multas previstas, pois o contrato definitivo ainda não foi assinado. Êta negócio "pai d’égua"! Os "cumpadres" Lula e Hugo Chávez apertaram as mãos num projeto sugerido por Chávez, a Petrobrás está tocando o projeto sozinha, e os acionistas brasileiros estão sendo explorados pela Venezuela, que vai acabar "negociando" nossos (des)governantes para assumir seus 40% de alguma forma no interesse deles. Esse é o padrão PT de governar, ou nos embrulhar. Que mudem logo o nome da Petrobrás para PetroBel, PetroVen ou PetroPT. Os acionistas da Petrobrás, antes tão sólida e respeitada, não merecem isso. O Brasil não merece um governo tão perdulário!

segunda-feira, 24 de março de 2014

ARGUMENTOS ABSURDOS

(No Estadão impresso, segunda-feira, 24.03.2014)
Para justificar o valor da compra da refinaria de Pasadena vários petistas e aliados do governo estão argumentando que em 2006, quando ela foi realizada, as vendas e a lucratividade do mercado de petróleo apontavam ter sido um bom negócio para a Petrobrás. Essa linha de argumento é totalmente furada, por várias razões. Considerando que a empresa belga Astra Oil pagou US$ 42,5 milhões por 100% da refinaria um ano antes (informação fácil de apurar em cartórios e jornais da região) e nós pagamos US$ 360 milhões por 50%, de cara pagamos um ágio de 1.600% em 12 meses. O fato de não terem sido levadas em conta as cláusulas Marlim e Put Option é mais um grande absurdo que elevou o prejuízo a US$ 1,137 bilhão. Não há explicação com qualquer sombra de lógica empresarial para isso. Se a Petrobrás tivesse pago o valor justo, mesmo com um ágio de 100%, US$ 85 milhões, porteira fechada, sua lucratividade seria muito maior tanto no mercado em alta como durante a crise. Só podemos achar que muitas maracutaias estão por trás dessa negociata absurda. Que tudo seja apurado com total transparência e, se possível, com o rastreamento de valores depositados em contas particulares e empresas laranjas na época. Que seja instaurada uma CPI já! E que a oposição não deixe essa virar mais uma grande pizza, que, infelizmente, já está sendo antecipada como de sabor Pasadena.

sexta-feira, 21 de março de 2014

VAMOS DE MAL A PIOR

(No Estadão online, sábado, 21.03.2014)
"São aloprados", não criminosos. "É recurso não contabilizado", não caixa dois. O presidente declara que "foi atingido com facada nas costas", mas ninguém foi punido. As maiores falcatruas são realizadas no gabinete ao lado, e o presidente de nada sabe nem apura nada. A secretária da Presidência em São Paulo, sra. Rosemary Noronha, viaja sempre ao lado do presidente e é acusada de vender influência. Nada se apura nem se toca um processo de abuso de poder e corrupção. A última vem de nossa "presidenta", que declara que, quando ministra e presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, aprovou a compra de refinaria em Pasadena, Texas, EUA, por valor absurdo, com "informações incompletas" e "parecer técnico falho". Quanta irresponsabilidade com nosso dinheiro! Pergunto à "presidenta": se o dinheiro saísse de seu bolso, e não da Petrobrás, de todos os brasileiros, tomaria a mesma decisão? E assim vamos de mal a pior, neste caminho de dilapidação de nosso patrimônio, deixando uma triste e pesadamente negativa herança para as futuras gerações.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

A PRIORIDADE DEVE SER O SUS

(No Estadão online, terça-feira, 25.02.2014)
Realmente, a "prioridade deve ser os SUS" para qualquer governo que queira cuidar do "social" e defender a população carente. O descaso deste governo nessa área (e de muitos outros, é justo lembrar) tem sido notório, como bem apontou o editorial do "Estadão" (23/2, A3). Creio que a única solução definitiva seria uma lei obrigando todos os governantes, de todos os escalões, todos os congressistas, incluindo suas famílias, a utilizarem somente do Sistema Único de Saúde (SUS)! Enquanto os mais responsáveis pelo governo, que deveria ser do povo e para o povo, tiverem acesso a atendimento privilegiado de médicos e hospitais particulares, o povo vai ter de continuar se virando no péssimo atendimento "padrão" SUS. A solução só virá quando o serviço público for obrigatório para todos os servidores públicos, especialmente os dos altos escalões. Atualmente, não há interesse de nossos políticos em aplicar bem as verbas na saúde pública, pois em caso de problemas de saúde pessoal podem gastar o suado dinheiro do contribuinte para serem atendidos pelas melhores equipes de hospitais como o Sírio-Libanês. Essa grande injustiça é que não deveria continuar. Ou será que, como sempre, o povo deve continuar "se explodindo", conforme dizia personagem do saudoso Chico Anísio?